Essa era a realidade em 2008. Essas fotos foram produzidas durante uma trilha realizada ao longo de 15 km do Rio Salgado, saindo do seu encontro com o Rio Jaguaribe até a ponte Piquet Carneiro (zona urbana do município de Icó – CE). Na época já era grande o nível de degradação ambiental observado, principalmente relacionado ao: desmatamento das margens, assoreamento de alguns trechos, lançamento de esgoto e grande volume de resíduos lançados no leito do mesmo.
O problema referente aos resíduos ficou mais evidente na zona urbana do rio, onde se encontrou de tudo um pouco. O que chamou a atenção foi o volume de entulho de construção jogado as margens. Essa ação, na época, era fruto da atividade dos caçambeiros e carroceiros que retirava areia do leito do rio. Quase sempre essa retirada era associada à colocação de entulho, pois alguns desses indivíduos aproveitavam a viagem para levar o entulho e retirar a areia do rio. Um fato a salientar é que na maior parte desses casos de retirada de área ocorreram em locais não recomendados para retirada desse tipo de material, principalmente próximo a ponte Piquet Carneiro.
Outro fato também preocupante, com relação ao tipo de resíduo encontrado, diz respeito a vasilhame de agrotóxico. Isso ocorreu e continuar a ocorre devido ao fato de que alguns lotes, explorados com agricultura, ficarem próximo ao rio e ai os produtores lançam tudo que considera lixo no mesmo.
"Durante a trilha, tive a oportunidade de conversar com um desses produtores e observei que ele não possui nenhum preparo para manejar esse tipo de produto, apesar de ter conhecimento que o mesmo faz mal a saúde. Mesmo com a consciência dos danos que o produto faz, ele continua lançando ao rio. Essa realidade não é diferente dos demais", explica Anselmo.
Segundo Anselmo, em 2012 foi constatado que a situação do Rio Salgado não tinha melhorado,pois em janeiro de 2012 ele foi até a lagoa de estabilização do esgoto do município de Icó-CE, a mesma localizada a margem do rio, joga constantemente o produto oriundo da decantação do esgoto. "O que chamou atenção foi a grande concentração de plantas aquáticas no local do rio de água parada e animais pastando bem próximo".
O mais preocupante é a situação que se ver na rampa de lixo as margens do rio. Uma novidade é a grande concentração de planta aquática, algo que não tinha, que provavelmente seja fruto de um processo de eutrofização. Esse processo é caracterizado pelo crescimento excessivo das plantas aquáticas, tanto planctônicas quanto aderidas. O principal fator de estímulo é um nível excessivo de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo. Com conseqüências indesejáveis desse processo, observadas em condição de água parada, destaca-se: diminuição do uso da água para recreação; frequente redução geral na atração turística devido a distúrbios com crescimento excessivo da vegetação; eventuais mortes de peixes; mau cheiro; mosquitos e insetos; e condições anaeróbias no fundo dos lagos.
Essa condição de eutrofização, provavelmente, seja produto da descarga de esgoto e criação de animais (porcos) no local. A liberação de despejos domésticos em recursos hídricos provoca o aumento da DBO (Demanda Básica por Oxigênio), que empobrece o meio aquático de oxigênio e provoca a morte dos organismos que precisam desse gás para respirar.
O Rio Salgado não é exclusivo do município de Icó, pois nasce no Crato-Ce, no Distrito do Lameiro, no pé da serra do Araripe, com o nome de Rio da Batateira. Sua bacia hidrográfica está espalhada por 23 municípios: Icó, Cedro, Umari, Baixio, Ipaumirim, Várzea Alegre, Lavras da Mangabeira, Granjeiro, Aurora, Caririaçu, Barro, Juazeiro do Norte, Crato, Missão Velha, Barbalha, Jardim, Penaforte, Milagres, Abaiara, Mauriti, Brejo Santo, Porteiras e Jati, com uma população estimada em 850.000 pessoas. Sendo assim Icó não é inteiramente responsável pela a situação de degradação que se encontra o Rio Salgado, mas a nível macro é mais um a poluir.