segunda-feira, 17 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
Presos do Rio Grande do Norte irão comer carnes de jumento
Pratos
como filé ao molho madeira, filé ao
molho branco, escondidinho de carne e churrasco, foram iguarias que os convidados
puderam degustar no almoço, que foi promovido pelo Ministério Público do Rio
Grande do Norte, no município de Apodi. Detalhe, essas iguarias é nada menos
que carne de jumento. O almoço aconteceu na última quinta-feira (13).
Estes
animais que foram abatidos e servidos no almoço foram apreendidos nas rodovias
que cortam o RN. A ideia foi do promotor da comarca de Apodi, Sílvio Brito. Ele
explicou que destinar a carne de jumento para consumo humano pode ser a forma
de tirar esses animais das rodovias.
“O
jumento era um objeto de trabalho, mas tornou-se obsoleto com o uso de motos e
tratores. É incalculável o número de animais abandonados por causa desse
desinteresse e esses animais estão soltos nas rodovias causando acidentes”,
afirmou o promotor de Justiça Sílvio Brito, que defende a ideia de que os
jumentos apreendidos nas estradas do RN sejam abatidos e incluídos no cardápio
da alimentação de detentos do sistema penitenciário do estado. Segundo a PRF,
de 2012 até o dia 10 de março deste ano foram apreendidos 3.354 animais nas
estradas que cortam o RN - a maioria era jumentos.
“O jumento era um objeto de trabalho, mas tornou-se
obsoleto com o uso de motos e tratores. É incalculável o número de animais
abandonados por causa desse desinteresse e esses animais estão soltos nas
rodovias causando acidentes”, afirmou o promotor de Justiça Sílvio Brito, que
defende a ideia de que os jumentos apreendidos nas estradas do RN sejam
abatidos e incluídos no cardápio da alimentação de detentos do sistema
penitenciário do estado. Segundo a PRF, de 2012 até o dia 10 de março deste ano
foram apreendidos 3.354 animais nas estradas que cortam o RN - a maioria era
jumentos.
Convidados que fizeram a degustação só fizeram
elogios, comparando a carne com de boi. Disseram, ainda que a carne é mais
dura. “É um pouquinho mais dura que a carne de vaca, mas é gostosa. Vou colocar
no cardápio de casa”, disse o professor Pedro Filho, de 44 anos. Ao todo, foram
servidos cerca de 100 quilos de carne de jumento aos convidados.
Todos os pratos servidos foram preparados pelo
empresário Humberto Gurgel Pinto, dono do restaurante onde foi servido o
banquete. "O preparo da carne de jumento é praticamente igual ao da carne
bovina. São muito parecidas. Não encontrei dificuldade alguma. E mais
importante: o pessoal aqui gostou muito, superando nossas expectativas",
disse.
O secretário estadual de Agricultura, Tarcísio
Dantas, esteve na degustação, provou a carne de jumento e também gostou. “O
sabor é agradável, a carne é macia, muito boa”, disse. Dantas afirmou que a
Secretaria não vê nenhum problema no consumo da carne de jumento e colocou a
secretaria à disposição para encontrar alternativas em relação ao confinamento
e abate dos bichos.
De
acordo com o promotor Sílvio Brito, os animais servido na degustação foram
vermifugados, se alimentaram exclusivamente de ração há pelo menos 4 meses, e
eram monitorados por veterinários. “É uma carne segura. Nós não estamos
apreendendo o animal e levando para a panela, há uma preocupação com os cumprimentos
das normas dos Ministérios da Saúde e da Agricultura”, assegurou.
Os 100 quilos de carne servidos são provenientes de
dois jumentos abatidos na quarta-feira (12) no matadouro público de Apodi. De
acordo com o presidente da Associação dos Protetores dos Animais (APA),
Eribaldo Nobre, de 49 anos, os animais estavam em uma fazenda na cidade vizinha
de Felipe Guerra. Os cortes usados no almoço foram picanha, maminha e colchão
mole. Segundo o empresário que elaborou os pratos, os nomes dos cortes de carne
de jumento são os mesmos da carne bovina.
O almoço foi servido para 120 convidados na parte
superior da churrascaria Apodi, mas, segundo o promotor, mais de 300 pessoas
comeram a carne. “A carne foi oferecida de graça na parte inferior da
churrascaria para quem quisesse. Mais de 300 pessoas comeram a carne de jumento
e nós ficamos impressionados com a receptividade”, disse Silvio Brito.
Mesmo assim, nem todos em Apodi tiveram coragem de
provar os pratos. Algumas pessoas também reprovaram o abate. O vendedor
Francisco Rogério Gomes não quis degustar a carne. "Esse promotor está é
doido. Daqui a pouco vão querer comer cachorro, comer de tudo. Eu sou contra e
não tenho vontade de experimentar”, disse.
Embora já tenha comido até cobra, o agricultor
Elano Rodrigues Dias preferiu não comer carne de jumento. “A gente não tem
costume de comer carne de jumento. Eu não acho certo não e também não quero
experimentar. Eu já comi tatu-peba, cobra, mas jumento é demais”, disse.
Polêmica
O uso da carne de jumento para consumo humano não é
consenso. Representantes da ONG Defesa da Natureza e dos Animais (DNA) alegam
que se os jumentos forem consumidos poderão entrar em extinção. “Não é
economicamente viável, os jumentos podem entrar em extinção, e essa carne que
foi servida não passou pelo tratamento necessário”, disse a veterinária Kátia
Lopes, da ONG DNA.
O ambientalista Kleber Jacinto defende que é
preciso ação do poder público para solucionar o problema do alto número de
jumentos nas rodovias que acabam causando acidentes, mas que o abate e consumo
humano não é a melhor alternativa. “Se fizermos um comparativo é a mesma coisa
de sair matando os cachorros que moram nas ruas para acabar com um problema.
Não é dessa forma que se resolve o problema. Além disso, ninguém sabe como
esses animais foram abatidos, se foram cuidados, tratados, se tinham alguma
doença. Não foi um processo transparente”, disse.
O promotor, por sua vez, garante que foram seguias
as exigências do Ministério da Saúde. “Os jumentos passaram por tratamento,
estavam confinados na Associação de Proteção dos Animais com acompanhamento
veterinário, não há riscos”, disse.
Fonte: G1
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